Justiça de Transição no Campo: Inconclusa e Falaciosa. A Busca da Verdade real

Elisabete Maniglia, Gil Ramos De Carvalho Neto

Resumo


Passados mais de cinquenta anos do Golpe Militar, a chamada “Justiça de Transição” não se concluiu no Brasil. A população rural foi explorada desde os primórdios, envolvendo indígenas, negros e trabalhadores assalariados, com o Estado sempre ausente das políticas públicas para o setor. A valorização do meio agrícola no pós-guerra e a ausência de regulamentação do trabalho rural por Getúlio Vargas levou os camponeses a reivindicar a reforma agrária. Foram apoiados por João Goulart, que se manifestou favorável a uma reforma do tipo expropriatória, mas tal manifestação foi o estopim para o Golpe Civil-Militar, que instalou a ditadura militar de quinze anos no Brasil. No período, os rurícolas foram massacrados pelas forças estatais e pelas milícias privadas apoiadas pelo Estado, sendo que até hoje não houve reparação plena aos lesados e nem punição verdadeira aos agressores.


Palavras-chave


Justiça de Transição; Meio Rural; Ditadura Civil-Militar; Camponeses; Reforma Agrária.

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DOI: http://dx.doi.org/10.25059/2527-2594/retratosdeassentamentos/2015.v18i2.212

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