Potencial de uso de cercas vivas em assentamento rural: estudo de caso no assentamento Pitanga, Pernambuco, nordeste Brasileiro

Conteúdo do artigo principal

Marina de Sá Costa Lima
Laise de Holanda Cavalcanti Andrade
Sonia Maria P. P. Bergamasco

Resumo

Partindo da premissa de que o conhecimento camponês e suas práticas de manejo podem resultar em estratégias multidimensionais que constituem a diversidade de manejo agroflorestal, tais como as cercas vivas, avaliou-se a riqueza de espécies empregadas para construção destas pelos agricultores, seu potencial para outros usos e para um aproveitamento sustentável da flora local. Foi selecionado como modelo para o estudo o assentamento Pitanga, estabelecido no entorno do remanescente de Floresta Atlântica - Área de Preservação Permanente, no Litoral Mata Norte-PE. A área da Cia de Tecido Paulista foi desapropriada pelo INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) em 1988 com o processo de luta pela reforma agrária e 172 famílias foram assentadas. A pesquisa foi realizada através de entrevistas semi-estruturadas, incluindo observação direta, check-list e a técnica de turnê-guiada. São utilizadas 31 espécies para cercas vivas, distribuídas em 26 gêneros e 16 famílias, predominando Euphorbiaceae e Fabaceae. O conhecimento sobre cercas vivas é heterogêneo, concentrado em poucos assentados. O uso dessas espécies nas cercas vivas pode servir a múltiplos propósitos utilitários e ecológicos, constituindo um valioso componente de conservação da flora local e do conhecimento agregado de populações rurais assentadas.

966 268

Detalhes do artigo

Seção

Artigos Originais

Como Citar

Potencial de uso de cercas vivas em assentamento rural: estudo de caso no assentamento Pitanga, Pernambuco, nordeste Brasileiro. (2015). Retratos de Assentamentos, 18(1), 291-318. https://doi.org/10.25059/2527-2594/retratosdeassentamentos/2015.v18i1.191

Referências

ALBUQUERQUE, U. P.; LUCENA, R. F. P.; ALENCAR, N. L. Métodos

e técnicas para a coleta de dados etnobotânicos. In: ALBUQUERQUE, U. P.; LUCENA, R. F. P.; CUNHA, L. V. F. C. (Orgs.). Métodos e técnicas na pesquisa etnobotânica. 2.ed. Recife: COMUNIGRAF/NUPPEA, 2008. p.41–72.

ALBUQUERQUE, U.P; ANDRADE, L. H. C. Conhecimento botânico

tradicional e conservação em uma área de caatinga no estado de Pernambuco Nordeste do Brasil. Acta Botânica Brasilica, v.3, n.16, p.273-285, dez/2002. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/abb/v16n3/15394.pdf> Acesso em: 6 mar. 2014.

ANDRADE, C. T. S.; MARQUES, J. G. M.; ZAPPI, D.C. Utilização de

cactáceas por sertanejos baianos. Tipos conexivos para definir categorias utilitárias. Sitientibus Série Ciências Biológicas (Etnobiologia), Feira de Santana, v.6, p.3-12. 2006.

ANDRADE-LIMA, D de. Plantas das caatingas. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Ciências. 1989. 243 p.

BAGGIO, A. J.; CARPANEZZI, O. B. Alguns sistemas de arborização de pastagens. Boletim de Pesquisa Florestal, Colombo/PR, v.17, p.47-60, dez. 1988.

BARROS, M. S. Cercas sertanejas: traços ecológicos do sertão pernambucano. 2º. ed. Recife: Massangana, 1985. 81 p.

BHATTARAI, S.; CHAUDHARY, R.P.; Taylor, R.S.L. Plants used as

fence and fuelwood in Manang district, central Nepal. Scientific World, v. 5, n.5, p. 107-111. jul. 2007.

BOTERO, R.; RUSSO, R. Utilización de árboles y arbustos fijadores de nitrógeno en sistemas sostenibles de producción animal en suelos ácidos tropicales. In: SÁNCHEZ, M.; ROMA, M.R. (Org.) Agroforestería para la producción animal en Latinoamérica. Estudio FAO sobre producción y sanidad animal, 1999, p. 171-195.

BRECHELT, A. O Manejo Ecológico de Pragas e Doenças. República

Dominicana: Fundação Agricultura e Meio Ambiente (FAMA). Rede de Ação em Praguicidas e suas Alternativas para a América Latina (RAP-AL). 2004.

BUDOWSKI, G. Living fences in tropical América, a widespread agroforestry practice. In: GHOLZ, H. L. (Org.). Agroforestry, realities and potentials. Dordrecht, Ho, Martinus Nijhoff. 1987. p. 169-178.

BYG, A.; BASLEV, H. Diversity and use of palms in Zahamena, eastern Madagascar. Biodiversity and Conservation, v.10, p.951-970, jun. 2001. Disponível em:<http://link.springer.com/article/10.1023%- 2FA%3A1016640713643#page-1 > Acesso em: 11 mar. 2013.

CONDEPE/FIDEM. Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de

Pernambuco. Prefeitura Municipal de Igarassu. 2007. CPRH - Companhia Pernambucana do Meio Ambiente. Diagnóstico Socioambiental do Litoral. Norte de Pernambuco. Recife, [s.n]. 2005.

CPRM - Serviço Geológico Do Brasil. Projeto cadastro de fontes de

abastecimento por água subterrânea estado de Pernambuco: diagnóstico do município de Abreu e Lima. Mascarenhas, J.C. et al. (org.). Recife, CPRM/PRODEEM. 2005.

CUNHA, L.V.F.C.; ALBUQUERQUE, U.P. Quantitative ethnobotany in

an atlantic Forest fragment of northeastern Brazil – implications to conservation. Environmental Monitoring and Assessment, v. 14, p. 1-25, jan. 2006.

DNIT - Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes. Cerca viva ou de tela para proteção da fauna – Especificação de serviço. Norma DNIT 077/2006 – ES. Rio de Janeiro, Diretoria de Planejamento e Pesquisa/IPR. 2006.

DUBOIS, J.C.L; VIANA, V.M.; ANDERSON, A.B. Manual Agroflorestal

para a Amazônia. 1 ed. Rio de Janeiro: REBRAF/Fundação Ford,

228 p.

FERRAZ, E.M.N.; RODAL, M.J.N. Caracterização fisionômica - estrutural de um remanescente de floresta ombrófila montana de Pernambuco, Brasil. Acta Botanica Brasílica, Belo Horizonte, v.4, n.20, p.911-926, dez./2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/abb/v20n4/15.pdf >.

Acesso em: 29 jul. 2014.

FERREIRA, R.L.C.; LIRA-JÚNIOR, M.A.; ROCHA, M.S.; LIRA, M.A.;

BARRETO, L.P. Deposição e acúmulo de matéria seca e nutrientes em serrapilheira em um bosque de sabiá (Mimosa caesalpiniifolia Benth.). Revista Árvore, Viçosa/MG, v.1, n.31, p.7–12, jan./fev. 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rarv/v31n1/02.pdf>. Acesso em: 19 jun.

GLIESSMAN, S.R. Agroecologia: processos ecológicos em agricultura

sustentável. 3ºed. Porto Alegre: Ed. da UFRGS, 2005. 653 p.

HARVEY, C.A.; VILLANUEVA, C.; VILLACIS, J.; CHACÓN, M.;

MUÑOZ, D.; LÓPEZ, M; IBRAHIM, M.; GOMEZ, R.; TAYLOR, R.;

MARTÍNEZ, J.; NAVAS, A.; SÁENZ, J.; SÁNCHEZ, D.; MEDINA,

A.; VILCHEZ, S.; HERNÁNDEZ, B.; PÉREZ, A.; RUIZ, F.; LÓPEZ,

F.; LANG, I.; KUNTH, S.; SINCLAIR, F.L. Contribución de las cercas

vivas a la productividad e integridad ecológica de los paisajes agrícolas en América Central. Agroforesteriaenlas Américas, Cidade do México, v.10, n.39/40. 2003. Disponível em: <ftp://ftp.fao.org/docrep/nonfao/lead/ x6370s/x6370s00.pdf> Acesso em: 9 jan. 2015.

MARTIN, F.W. The living fence: its role on the small farm. 1991. [Online]. Disponível em: <http://www.tropicalseeds.com/tech_forum/growingtech/living_fence html>. Acesso em 23 mai. 2013.

MATOS, L. V.; CAMPELLO, E. F. C.; RESENDE, A. S.; PEREIRA, J.

A. R.; FRANCO, A. A. Plantio de leguminosas arbóreas para produção de moirões vivos e construção de cercas ecológicas. Sistema de Produção, v.3, p.1-10, dez/2005.

MIRANDA, E. M.; VALENTIM, J. F. Estabelecimento e manejo de cercas vivas com espécies arbóreas de múltiplo uso. Acre: Embrapa Acre, 1998. 4 p. (Série Comunicado Técnico INFOTECA-E).

MONTAGNINI, F. et al. Systemas agrolorestales: princípios y aplicaciones en los trópicos. San José: Organización para Estudios Tropicales. 1992.

MORI, S. A.; SILVA, L.A.M.; LISBOA, G.; CORADIN, L. Manual de

manejo do Herbário fanerogâmico. 2° ed. Ilhéus: Centro de Pesquisa do Cacao. 1989. 103 p.

NASCIMENTO, V. T.; SOUZA, L. G.; ALVES, A. G. C.; ARAÚJO, E. L.;

ALBUQUERQUE, U. P. Rural fences in agricultural landscapes and their conservation role in an area of caatinga (dryland vegetation) in Northeast Brazil. Environment, Development and Sustainability (on line), ago/2008. Disponível em: <http://link.springer.com/article/10.1007%2Fs10668-008-9164-1#page-1>. Acesso em: 25 nov. 2014.

OLIVEIRA, T. K.; ALMEIDA, L. S.; SANTOS, F. C. B.; LESSA, L. S.

Crescimento de mogno e eucalipto como cercas vivas no Acre, Brasil. Revista Brasileira de Agroecologia, Cruz Alta/RS, v.2, n.2, out./2007.

PINTO, E. P. P.; AMOROZO, M. C. M.; FURLAN, E. Conhecimento popular sobre plantas medicinais em comunidades rurais de mata atlântica – Itacaraé, BA, Brasil. Acta Botanica Brasílica, Belo Horizonte, v.4, n.20, p.751–762, out./dez. 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/abb/v20n4/01.pdf > Acesso em: 7 dez.2013.

RODRIGUES, M. S.; ROLLO, P.A. Estudo de caso: O mercado de terras rurais na região da zona da mata de Pernambuco, Brasil. v. 2.

Santiago de Chile: Red de Desarrollo Agropecuário. Unidad de Desarrollo Agrícola. División de Desarrollo Productivo y Empresarial. 2000.

SILVA, V.A.; ALBUQUERQUE, U.P.; NASCIMENTO, V.T. Técnicas

para análise de dados. In: ALBUQUERQUE, U.P.; LUCENA, R.F.P.;

CUNHA, L.V.F. C. (org.). Métodos e técnicas na pesquisa etnobotânica. Recife: COMUNIGRAF/Nupeea. 2008. p. 127-143.

TORQUEBIAU, E. Are tropical agroforestry homegardens sustainable? Agriculture Ecosystems and Environment, v.41, p.189–207, 1992. Disponível em: <http://gcs.isp.unu.edu/db/sites/default/files/16.Are%20tropical%

agroforestry%20home%20gardens%20sustainable.pdf>. Acesso

em: 15 abr. 2013.

VILLANUEVA, C; IBRAHIM, M; HARVEY C.; ESQUIVEL, H. Tipologías

de fincas con ganadería bovina y cobertura arbórea en pasturas en

el trópico seco de Costa Rica. Agroforestería en las Américas, Turrialba (Costa Rica), v.10, p.9-16, 2003. Disponível em: <ftp://ftp.fao.org/docrep/nonfao/lead/x6371s/x6371s00.pdf>. Acesso em: 28 mai. 2014.

ZAHAWI, R.A. Establishment and Growth of Living Fence Species: An Overlooked Tool for the Restoration of Degraded Areas in the Tropics. Restoration Ecology, Washington (USA), v.1, n.13, p.92-102, mar./2005. Disponível em: <http://globalrestorationnetwork.org/uploads/files/CaseStudyAttachments/94_zahawi-1.pdf> Acesso em: 22 set. 2014.