O diálogo necessário entre extensão rural e Agroecologia

Maristela Simões do Carmo, Valéria Comitre, Ricardo Serra Borsatto, Rodrigo M. Moreira, Beatriz Stamato

Resumo


O artigo parte do pressuposto que o rural detém especificidades com as quais se podem trabalhar outras possibilidades além do superdimensionamento da tecnologia enquanto único embasamento para o desenvolvimento ambiental, social, político e econômico. Não há uma sociedade rural, mas sim sociedades rurais, com suas especificidades produtivas, ligadas às forças da natureza e sócio-culturais. O enfoque está voltado para a caracterização de um novo rural em que se pressupõe a emergência de forças específicas e endógenas que conduza a uma inserção global adaptada às necessidades edafoclimáticas e sócioeconômicas locais. A extensão em ciências agrárias necessita moldar-se e adquirir flexibilidade no processo de construção de projetos de desenvolvimento sustentável. No entanto, o entendimento atual da sustentabilidade expressa possibilidades de reter aspectos voltados apenas à preservação ambiental. Ao se pensar um novo rural com forças endógenas que desempenham papéis fundamentais no avanço tecnológico e na intervenção extensionista, é fundamental uma abordagem agroecológica. Nesta, vários planos interagem e conformam um quadro em que cabe a bio e a sociodiversidade, entre eles aspectos tecnológicos, culturais, políticos, econômicos e sociais. A sustentabilidade, então, implica num rompimento da dependência dos atores sociais na direção de uma participação realmente eficaz, capaz de aprofundar o entendimento da realidade a uma nova articulação entre investigação e extensão. A partir desse delineamento, a extensão agroecológica adquire um caráter de inclusão social e de tecnologias adaptadas, repercutindo nas decisões relativas às políticas públicas em ciências agrárias que ultrapassem as necessidades de produção e reprodução dos setores dominantes.


Palavras-chave


Desenvolvimento Rural Sustentável, Agroecologia, Extensão Agroecológica

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DOI: http://dx.doi.org/10.25059/2527-2594/retratosdeassentamentos/2015.v18i1.190

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